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O Culto à Deusa-Morte
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Dæmon S. calckey.world dsilverz@calckey.world
Joined: 2026-02-16
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O Culto à Deusa-Morte

Estava revendo a lista de comunidades e só agora notei que há uma comunidade de ocultismo. Decidi postar esse fio com três propósitos:

  1. Reacender a comunidade, pois vi que ainda não há fios por aqui
  2. Compartilhar algo que venho pessoalmente estudando e tentando entender há algum tempo
  3. Na esteira desse compartilhamento, saber se há outras pessoas lusófonas que partilham de crença sincrética similar

Trago um trecho do que originalmente escrevi em inglês mas que aqui traduzo (as referências são em inglês pois nem sempre têm em português). O texto que originalmente escrevi é mais longo.

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As primeiras formas de religião (proto-religião) envolviam mortalidade (com funerais, luto e enterros sendo as primeiras práticas ritualísticas durante o Paleolítico), e adoração à Deusa (estatuetas de Vênus, também do Paleolítico, bem como altares à Shakti do Paleolítico Superior).

O culto à Deusa, inicialmente em equilíbrio com o masculino (como nas díades Yin-Yang, Ísis-Osíris, Naunet-Nun) foi, em grande parte, silenciado e/ou demonizado por visões monoteístas e patriarcais, como o Zoroastrismo, que influenciou e culminou no androcêntrico abraâmico. A dualidade, antes equilíbrio (Yin-Yang, onde trevas não eram necessariamente sinônimo de mal nem luz era necessariamente sinônimo de bem: se complementam), foi estigmatizada pela moralidade humana.

Quanto à Morte, o arco e flecha (ou o ancinho e vassoura, da escandinava Pesta/nórdica Hel) viraram a foice durante a Peste Negra do século XIV, passando a usar capuz (certamente por influência da vestimenta dos médicos do período), e o previamente mencionado patriarcado cimentou a figura masculina do "Grim Reaper" que, com a colonização europeia na cultura ocidental, tornou-se símbolo arquetípico da Morte até hoje.

O conceito de morte, que já era vista com olhos tortos dado como somos "cabeados" pelo instinto a evitá-la (muito embora seres vivos dependam da morte de outros seres vivos para continuarem vivos: chamamos isso de "alimentação" e é tão banal quanto o respirar), tornou-se ainda mais tabu com as religiões abraâmicas. A ideia de "Adorar a Morte, A Própria" é tão inusitada que é praticamente impensável.

Mas adorá-La, mesmo através de lentes mais Dawkinsianas possíveis, faz mais sentido que demais deuses: de todos os fenômenos que possam ser personificados, a morte é a única certeza de toda a existência. Sua essência transcende o espiritual: Ela é a entropia da Termodinâmica, é a singularidade da Astrofísica, é o Big Chill da Cosmologia. Ela não é somente o fim último: Ela está aqui e agora, presente a todo tempo desde o início até o final dos tempos. Aquela que, por medo, tenta-se ignorar e esquecer, apenas para ser lembrada novamente ao som de seus sublimes passos, nos tiques do relógio.

@Oculto@lemmy.eco.br

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